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quinta-feira, 3 de maio de 2012
A Liberdade Segundo o Anarquismo
A Liberdade Segundo o Anarquismo
A luta do anarquismo é a luta pela liberdade, daí multiplicam-se diversos enfoques de luta (ecológica, sindical, gênero, classista, cultural, etc.), mas todas têm como motivo a ruptura com modelos e sistemas, tal como o capitalista e suas nuanças ditatoriais ou democrático liberais, que têm como base a ausência da liberdade e todas as nocivas conseqüências que advém de tal fato. Mas a liberdade, palavra tão repetida e banalizada em nossa sociedade, o que representa no Anarquismo? É importante desvelar por qual liberdade lutamos os anarquistas em oposição ao conceito burguês e consumista de liberdade. A principal diferença é que, de fato, não há liberdade enquanto existir estado, capitalismo e enquanto a sociedade em que se vive não for livre e sua totalidade.
A liberdade na sociedade de consumo como expressão da ideologia burguesa.É comum o uso da palavra liberdade nos meios de comunicação e na mídia, mas seu valor está perfeitamente encaixado e previsto na cultura de massa. Desde a “liberdade que cabe no bolso”, do cartão de crédito, passando por aquela de poder consumir um produto que está na moda, até o puro e simples consumo como ritual instituído em nossas vidas, o que há é o consenso de liberdade como algo associado unicamente às realizações pessoais provenientes daquilo que o dinheiro pode comprar. Somos educados a associar valores e status a objetos e situações, e que o ato de consumir tais valores materializados ou viver determinadas situações fabricadas seria liberdade. É “livre” aquele que consegue aproximar-se das situações modelo estereotipadas apresentadas de forma massificada pelo sistema, situações representadas por ícones do que seria o indivíduo realizado que alcançou a “liberdade”. “Livre” é aquele que não tem impedimentos no seu ritual de consumo, é a situação econômica que não restringe os “sonhos” a que somos amestrados a desejar.É fácil observar que tal “liberdade” não passa de fantasia em uma existência entorpecida na sociedade capitalista. O sistema oferece opções, muitas opções, mas a escolha se restringe apenas a esse universo. O mercado determina o que consumir, mas com algumas variações que almejam os variados tipos de gostos, como em uma padronização diversificada. A individualidade não é respeitada, mas o discurso é individualista, personalizado, fazendo acreditar que foi feito para você, que você é diferente, colocando-o em um pedestal, criando-se “feudos culturais” onde pensamos ser “diferentes” mas somos todos padronizados, com os mesmos gostos, consumindo as mesmas coisas, rotulados. Acontece que somos naturalmente diferentes, mas somos educados a incorporar estereótipos, a nos projetar em símbolos, dividindo-nos em vários públicos consumidores. Na verdade nós somos o produto, moldados para consumir dentro de alguns dos vários segmentos de produção industrial.A realidade em uma sociedade baseada na exploração não é agradável, é rotineira e desanimadora, o contrário ocorre nas fantasias da televisão e cinema, nos sonhos das propagandas, enfim, nos veículos utilizados para o convencimento do consumir, seja diretamente ou induzindo a projeção e identificação com comportamentos e modelos, os quais estão associados a certos produtos orbitais das idéias e valores que tais modelos carregam. Che Guevara é um exemplo, sua imagem e os valores agregados a mesma podem ser usados, e são, direta ou indiretamente na criação de necessidades de consumo de certos produtos agregados a mesma. Se a vida é ruim existe sempre a promessa de um ideal que anestesia e faz suportar o real, um mundo em que podemos ter “liberdade”, em que podemos ser o que não somos.A “liberdade” do consumo é um embuste porque é a liberdade individual daquele que pode gastar e satisfazer seus desejos, não importando se os outros podem fazer o mesmo. Como tal lógica pressupõe a desigualdade e a exploração para poder existir, então não há nenhuma liberdade havendo apenas a “liberdade” de alguns, pois um sistema de exploração, escravidão, domínio e desigualdade não permite a liberdade, nem de um que seja, mas sim a ilusão de “livre escolha” entre modelos já determinados, modelos esses que nunca vão contrariar, mas sim, devem contribuir para a manutenção e reprodução da ordem excludente.
A liberdade liberal burguesaA liberdade liberal burguesa também é falsa, e assim como a ilusão de liberdade pelo consumo, faz nos crer que somos livres ao exercermos a chamada cidadania. Nessa lógica, a sociedade seria uma “máquina” cujas engrenagens precisam funcionar bem e ajustadas para o bom andamento da vida. O estado, as suas instituições e seus “especialistas” trabalhando em prol do social, cabendo ao povo apenas trabalhar e saber quando e onde deve opinar, e querem nos fazer crer que é liberdade o direito de aceitar toda essa degeneração. Ser livre é ter o direito de ser uma peça útil para o capital, deixando que a moral, a economia e a justiça sejam regulamentadas pelo estado. Só existimos enquanto cidadãos, produzindo, consumindo e prestando obediência às leis do estado.“(...)A liberdade política significa que a “polis”, o Estado são livres; a liberdade religiosa, que a religião é livre; a liberdade de consciência, que a consciência é livre e não que eu seja livre do Estado, da religião e da consciência, ou que eu tenha me livrado disso tudo. Não se trata de minha liberdade, mas daquela de uma potência que me domina e me subjuga: um de meus tiranos – o Estado, a religião, a consciência – é livre, um desses tiranos que fazem de mim seu escravo, de tal modo que sua liberdade é minha escravidão.” (Stirner, Max Stirner e o Anarco Individualismo, pg50)No liberalismo não há o rei ou senhor feudal, então há liberdade? Substituiu-se uma escravidão por outra, a de classe, a escravidão do capital sob as leis e a moral do estado. A liberdade aqui é “limitada pela do outro”, é como uma mercadoria, uma propriedade privada. O estado tem a liberdade de julgar, determinar, e possuir, afastando as decisões da responsabilidade das pessoas, que agora são apenas cidadãos e devem desempenhar seu papel como cidadãos, papel esse em que não cabe a decisão sobre seus destinos.“Responder-se-á que o Estado, representante da salvação pública ou do interesse comum, só suprime uma parte da liberdade de cada um, para lhe assegurar tudo o resto. Mas este resto, é a segurança, se quiserem, mas nunca será a liberdade. A liberdade é indivisível: não se lhe pode suprimir uma parte sem a destruir por inteiro. Esta pequena parte que suprimem, é a própria essência da minha liberdade, é o todo. Por um motivo natural, necessário e irresistível, toda a minha liberdade se concentra precisamente nessa parte, por pequena que seja, que suprimem.” (Bakunin, Conceito de Liberdade, pg.26)Na democracia liberal burguesa, baseada na exploração e no lucro, a chamada “limitação da liberdade” é a ausência da mesma. Nascemos nesse sistema, não foi uma escolha, e aquele que o renuncia sofre todos os métodos de repressão, difamação e marginalização pelo estado para que não se torne um exemplo, já que seria muito perigoso para aquele que quer impor uma estrutura e um sistema sobre a sociedade haver elementos contestatórios dos mesmos.
A liberdade segundo o AnarquismoA liberdade que busca o anarquismo vai de encontro a todas essas alienações e mentiras criadas, impostas, e reproduzidas pelo interesse privado burguês. Vai, mais além, contra toda forma de relação alienada e de domínio entre os seres humanos e contra as criaturas desse planeta, visto que o domínio pode dar-se fora do econômico.Longe de ser limitante, a liberdade é a condição principal para o desenvolvimento das potencialidades individuais e humanas, o contrário das “castrações” que o sistema nos sujeita, onde temos que nos moldar e deformar dentro de modelos econômicos baseados em princípios discriminatórios, de lucro e ganância. Contra a “liberdade” suicida liberal e de consumo, em que todos na sociedade somos inimigos e competidores em busca de efemeridades materiais, a liberdade Anarquista tem claro que “o homem só se torna homem e só chega à consciência e à realização de sua humanidade em sociedade e somente através da ação coletiva da sociedade inteira.” (Bakunin, textos Anarquistas, pg.46). E que “a liberdade não é, pois, um fato de isolamento, mas de reflexão mútua, não de exclusão, mas de ligação; a liberdade de todo indivíduo é entendida apenas como a reflexão sobre sua humanidade ou sobre seu direito humano na consciência de todos os homens livres, seus irmãos, seus semelhantes.”(idem, pg.47). Disso resulta que não se pode ser livre em uma sociedade de escravos, ser cidadão ou consumista não é ser livre visto que tais condições pressupõe um regime de exploração e desigualdade, e se há desigualdade, há dominação e conseqüentemente supressão da vontade. Aquele que nasce em uma sociedade desigual, vai ser educado para reproduzir e desigualdade e não a liberdade.O estado diz que somos todos iguais, vivendo numa democracia, mas “diante do soberano supremo, o único digno de comandar, nós todos nos tínhamos tornado iguais, pessoas iguais, isto é, zero. Diante do proprietário supremo, tornamo-nos todos mendigos iguais.” (Stirner, O Anarquismo Individualista, pg.22) Porque “é nisso que consiste o tipo de educação e de cultura que pode me dar o Estado: ele faz de mim um instrumento utilizável, um membro útil da sociedade.” (idem). Conformar-se com o caos social e achar que teremos voz através dos meios ditos “legais” e “democráticos” do estado é a ilusão que o mesmo nos faz acreditar. Ser livre é ter igualdade de voz, ser reconhecido como alguém que tem opiniões e deve participar das decisões que vão interferir em sua vida e em seu meio, garantindo-lhe o que é necessário à vida, sem intermediações ou burocratismos, que têm por objetivo não representar, mas isolar, afastar o povo do poder. Acreditamos na “impossibilidade da liberdade política sem igualdade política. Impossibilidade desta, sem igualdade econômica e social.” (Bakunin, Textos Anarquistas, pg.68).Lutamos para ouvir e sermos ouvidos, para decidir e ter responsabilidade sobre o que decidimos, para criar e viver seguindo princípios por nós estipulados coletivamente, sem imposição ou dominação sobre outro, sempre conscientes daquilo que fazemos e seus resultados sobre a sociedade. Sem dogmas, leis ou julgamentos baseados em uma moral elitista e mistificada.“A liberdade é o direito absoluto de todo homem ou mulher maiores de só procurar na própria consciência e na própria razão as sanções para seus atos, de determiná-los apenas por sua própria vontade e de, em conseqüência, serem responsáveis primeiramente perante si mesmos, depois, perante a sociedade da qual fazem parte, com a condição de que consintam livremente dela fazerem parte.” (idem, pg.74).Enfim, a liberdade pela qual luta o Anarquismo é a revolução, é a ruptura total com tudo aquilo que tem dominado e drenado nossas vidas e que hoje se entende por capitalismo.
Coletivo de Estudos Anarquistas Domingos Passos. Território Tamoio, setembro de 2003.
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A luta sem classe dos maconheiros da USP - Chorar na delegacia porque o filho baderneiro foi preso é fácil; duro é chorar sobre o corpo do filho morto | Reinaldo Azevedo - Blog - VEJA.com
RETIRADO DE:http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-luta-sem-classe-dos-maconheiros-da-usp-chorar-na-delegacia-porque-o-filho-baderneiro-foi-preso-e-facil-duro-e-chorar-sobre-o-corpo-do-filho-morto/

Zélia e Ocimar, pais de Felipe de Ramos Paiva: eles choraram a morte do filho, não a prisão de maconheiro baderneiro
A questão é simples, é objetiva, sem meio-termo. Os que são contra a Polícia Militar na USP são aliados objetivos dos assassinos de Felipe de Ramos Paiva. O Globo de hoje publica uma entrevista com os pais do rapaz. Chorar na delegacia porque o filhote baderneiro foi preso é fácil. Duro é chorar sobre o corpo do filho morto. Segue o texto.
“Nunca ninguém do sindicato ou da USP telefonou”, diz pai de aluno morto na faculdade
Por Flávio Freire:
“Vi ontem uma mãe na delegacia chorando porque o filho estava preso, mas ele foi preso porque escolheu. Esses alunos, esses pais, parecem não ter noção do que é chorar por ter perdido um filho. Talvez, se tivesse policiamento, o meu Felipe não teria sido morto com um tiro na cabeça”.
“Vi ontem uma mãe na delegacia chorando porque o filho estava preso, mas ele foi preso porque escolheu. Esses alunos, esses pais, parecem não ter noção do que é chorar por ter perdido um filho. Talvez, se tivesse policiamento, o meu Felipe não teria sido morto com um tiro na cabeça”.
O desabafo, resignado, é de Zélia Paiva, mãe de Felipe de Ramos Paiva, aluno da Faculdade de Economia e Administração (FEA) morto em 18 de maio deste ano no estacionamento da universidade. Foi em razão desse crime - os dois assaltantes estão presos - que a USP decidiu colocar a PM no campus, revoltando grupos de alunos, que protestaram, invadiram a reitoria, foram presos, soltos no mesmo dia e agora estão em greve.
Zélia, dona de casa, e o marido Ocimar Florentino Paiva, projetista, são a favor do policiamento na cidade universitária. Para o casal, é inconcebível um protesto que, segundo eles, pode mascarar ideologias questionáveis. Os ânimos se acirraram entre estudantes e a reitoria depois que três alunos foram presos pela PM fumando maconha. Os estudantes alegam que a luta contra a presença da polícia não é nova, nada teria a ver com o que aconteceu, e criticam a forma “agressiva” como seriam abordados. “O que ouvimos da polícia, na época do crime, é que duas quadrilhas sempre agiram livremente lá dentro (da USP). Tem que ter policiamento, é claro. Usar drogas é contra lei e tem que impedir. A USP não pode ser um lugar que atrai traficantes”, diz Ocimar.
Seis meses após perder o filho, ele se emociona ao lembrar que conseguiu, “com com muito custo”, construir a casa em que cada um dos dois filhos teria seu quarto, e que ele teve um sonho interrompido: os dois se formariam no ano que vem. Ocimar cursa Engenharia Elétrica numa faculdade privada.
Na sala do sobrado recém-erguido numa rua simples de Pirituba, na periferia de São Paulo, o pai de Felipe sofre com as manifestações de alunos em pé de guerra com a USP. “Eles (manifestantes) dizem que os alunos da FEA, da Poli e da Medicina não fazem protesto porque são filhinhos de papai. Você acha que somos ricos? Eles nem sabem contra quem ou contra o que estão protestando. Meu filho nunca fez protesto porque trabalhava desde cedo e estudava nos fins de semana para entrar e se manter num curso muito concorrido”, diz, perdendo a voz, esfregando os olhos, já amparado pela mulher.
Uma cena do noticiário dos últimos dias não sai da cabeça do casal: advogados na porta do 91 DP, para onde foram levados os manifestantes, felizes porque um sindicato conseguiu arrecadar R$ 39 mil para pagar a fiança coletiva. “Arrumaram quase R$ 40 mil para tirar da cadeia alunos que não queriam nem sair, enquanto faz seis meses que meu filho morreu e nunca ninguém de sindicato ou da USP deu sequer um telefonema para nós. Recebemos só o telegrama de um professor do Felipe, em nome dele e de alunos da classe. Foi a única manifestação de solidariedade”, conta Zélia, ainda de voz firme.
A tragédia que se abateu na família criou um trauma. A filha mais nova do casal, de 21 anos, desistiu de prestar vestibular para Medicina na USP, pelo menos por enquanto. “Precisamos retomar nossa vida, mas tem coisas que marcam muito a gente. Tem seis meses que o quarto do Felipe está do jeito que ele deixou, não conseguimos tocar em nada. Estamos pensando até em vender a casa para tentar recomeçar a vida longe de algumas lembranças”, afirma Ocimar, que mensalmente paga as despesas do carro do filho, protegido com uma capa no quintal da casa. O passaporte de Felipe, emitido cinco dias antes do crime, é guardado pela família.
“Meu filho queria viajar pelo Brasil, mas também conhecer o mundo. A insegurança interrompeu o sonho dele. O país todo precisa ter mais segurança, e a USP, também. Ou vão esperar acontecer nova tragédia?”, indaga o pai.
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Os anarquistas estão chegando?
Se a comunicação é vital para configurar a contracultura, onde se encontra eco para os sentimentos de rebeldia, insatisfação, tédio e busca, sentimentos estes que caracterizam o processo de transição para a maturidade?Onde estão os aspirantes para “ser” humano?
Onde estão os “Homo Sapiens”?
Olho para os lados e só vejo “Homo Deméns”...
O que mais parece é que ninguém pensa, que ninguém observa e que somente uma ínfima minoria, protesta de forma não violenta contra esta silenciosa violência secular.
Onde estão os estudantes?...
E os poetas e os compositores, que deveriam ser as antenas do povo?
E a imprensa?
Foram engolidos pela cultura operante?
Onde está a contestação, a critica reflexiva, o enfrentamento dos padrões impostos pela mídia, socialmente aceitos?
Onde está o inerente espírito libertário do ser humano capaz de provocar mudanças paradigmáticas e revoluções de consciência?
Por que tanta falta de pensamento critico?
Por que tamanho consumismo?
Onde estão os simplistas voluntários?
Onde estão os anarquistas?
Onde estão aqueles que ousam romper com as regras do jogo?
Onde estão aqueles que aspiram a intervenção critica?...
(...)
Os anarquistas estão chegando?
Estão chegando os anarquistas?
(...)
Onde estão os anarquistas que não são discretos e nem silenciosos e que moram bem próximos da realidade obscurecida em que vivem os homens?
Onde estão os anarquistas que não são pacientes, nem assíduos e muito menos perseverantes com este mundo sem ética?
Onde estão os anarquistas que não executam suas vidas segundo as “regras proféticas ou partidárias”?
(...)
Os anarquistas estão chegando?
Estão chegando os anarquistas?
(...)
Onde estão aqueles que transpiram a utopia radical de transformação consciencial?
Onde estão aqueles que deixam de somente cantar a sociedade-alternativa para realmente, holisticamente colocarem do seu fermento na massa que alimenta a massa?
Os anarquistas estão chegando?...
Mas, cadê você nisso tudo?
De que lado você está?
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Os anarquistas estão chegando os anarquistas
Para ser lido sob o tom sombrio-apoteótico-inevitável desta versão da música do Jorge Ben
Eles são discretos e silenciosos. Ninguém os viu chegar, não se sabe que cara têm, como se organizam, de onde tiram financiamento e apoio para sua estrutura. No entanto, moram bem perto dos homens. Não comutam, não atravessam fronteiras ou divisas muradas. Não voltam para seus guetos aonde podem ser trancafiados, isolados, esquecidos. Sua casa se camufla na paisagem de todas as outras casas. Podem estar, inclusive, perto de você. Invisíveis, misturam-se à estrutura que os acolhe e nutre, mas nunca levantam a voz. Como não se dá conta de sua existência, passam por burocratas enquanto executam regras herméticas. Suas atividades raramente são compreendidas, quanto mais monitoradas. Por isso estão serenos e seguros enquanto escolhem com carinho a hora e o tempo do seu precioso trabalho.
No Bahrein, Iêmen, Egito e Estados Unidos os novos ativistas não são aqueles que protestam ou esbravejam frente às câmaras, mas a rede internacional de notícias que os capta e transmite, ao vivo, via Livestream e tantos outros canais. Perto dela, Al Jazeera é reacionária. CNN e BBC, alienadas. Reuters e AFP, esnobes. Manifestantes e polícia, atores. Repórteres sem fronteiras, idealistas. Todos amadores.
Os grandes revolucionários dos países da Primavera Árabe e dos movimentos recentes em Wall Street não dão entrevistas, não ocupam espaço frente às câmaras beijando crianças na Líbia como Sean Penn nem têm delírios de onipotência como Julien Assange. Nada disso. São pacientes, assíduos e perseverantes. E discretos, acima de qualquer coisa. Praticam o que, por falta de um nome adequado, é chamado de Hacktivismo.
Eles não ameaçam nem impressionam ninguém. Seu biotipo não causa inveja em um PitBoy, suas armas não assustam um Zé Pequeno. Mas não se deixe enganar: eles são muito fortes e poderosos. Usam sistemas de encriptação como o Tor para contornar milhares de capangas fortemente armados das grandes muralhas de proteção e mostrar ao mundo o mundo que deve ser mostrado. Em especial para quem se cansou do simulacro azul das pílulas, de Adderall a Viagra, passando por Matrix.
Nunca vi uma rebelião de inteligência como esta. Ao contrário do que falou Gil Scott Heron, ela é televisada. Mas por um canal diferente. Você poderá ficar em casa, poderá plugar-se na hora em que quiser. Os ativistas de Nova York garantem público e repercussão para reforçar a moral de cidades em que o movimento ainda é pequeno demais para ser coibido ou cooptado.
A revolução pode ser acompanhada do sofá, tomando cerveja, mas não será patrocinada. Ganhará as telas do YouTube e Vimeo até que a TV não possa mais ignorá-la ou ridicularizá-la. Ela não tem sex appeal, não emagrece, não vende, não aparecerá na Caras nem na Angélica.
Nem na grande mídia, pelo que parece. Desde que a Internet permitiu o acesso direto, meus jornais matinais são algumas agências de notícias. Nelas não há palavra sobre o movimento americano. Claro que não esperaria vê-lo na Bloomberg do prefeito de Nova York, mas o barulho de fundo deve incomodar a moça que fala da previsão do tempo.
Tempo este que é, no sentido Chinês, muito interessante. Praga sutil e discreta, camuflada em um inocente provérbio, se refere a turbulências imprevistas, de difícil controle, que perturbam a normalidade que deveria acompanhar o momento em que todos os desejos se transformam em realidade. Em vez dela, se vê no horizonte que os anarquistas estão chegando. Estão chegando os anarquistas.
Muitos regimes fechados, práticos em controlar o acesso à informação, devem abanar a cabeça, desconsolados com a ironia da situação. Pois justo os terríveis Estados Unidos da América, especialistas em contra-inteligência e propaganda ideológica, não conseguem lidar com uma Tiananmenzinha dessas? Que mal exemplo se dá para o Egito desse jeito.
Mas não se engane: há muita estratégia nesta ação aparentemente desesperada de uma minoria de 99%, a começar por seus slogans, websites e cinegrafistas. Pobres inocentes, definidos no Twitter com a sutileza literária de quem sofre pela morte de Johnny Cash, Steve Jobs e Bob Hope e se diz sem Cash (dinheiro), Jobs (emprego) e Hope (esperança, palavrinha também usada pela campanha do Obama). É muita sutileza para um endividado, não?
Pois se até a Al-Qaeda aprendeu a usar a mídia, tenha certeza que os estrategistas silenciosos sabem o que fazem quando organizam desde a captação, a conversão, a repercussão e a distribuição. Trazem consigo iPhones, câmeras de vídeo, tablets Android. Todos bem iluminados. E evitam qualquer relação com pessoas de temperamento sórdido.
Há um grande mérito em suas queixas e um enorme aprendizado em sua metodologia. A única pergunta que ainda não foi televisada é sua real proposta de mudar o sistema sem quebrá-lo. Incendiar a Bastilha, bem sabem muitos descamisados que saíram de universidades, não é tão difícil. O problema é evitar o terror que sucede o ancien régime.
Luli Radfahrer é professor-doutor de Comunicação Digital da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP há 19 anos. Trabalha com internet desde 1994 e já foi diretor de algumas das maiores agências de publicidade do país. Hoje é consultor em inovação digital, com clientes no Brasil, EUA, Europa e Oriente Médio. Mantém o blog www.luli.com.br, em que discute e analisa as principais tendências da tecnologia. Escreve a cada duas semanas no caderno "Tec" e na Folha.com.
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Pro dia nascer feliz (documentário sobre a realidade escolar)
Um material que o Educa Tube já tinha divulgado em 2010, e que torna a sugerir aos visitantes e seguidores deSte blog, para uma visão da escola, por dentro da mesma, feita por educadores e alunos, neste ótimo documentário que redescobri no Facebook.
Uma escola que não aparece na programação da televisão, mas que não deixa de ser um verdadeiro reality show. Uma escola que é desconhecida de muitos apresentadores de TV, formadores de opinião, comentáristas esportivos e de resultados, políticos e outros palpiteiros de plantão...
Bem-vindos ao mundo real que nenhum reality show da TV consegue reproduzir, pois diferente daqueles, este é calcado de fato na realidade escolar e não em índices de audiência, produtos comerciais, revistas masculinas e coisa e tal...
Assistam, reflitam e repassem.
Abaixo, link no Google Vídeos:
PRO DIA NASCER FELIZ
http://video.google.com/videoplay?docid=3379496063337408357&hl=pt-BR
Veja também o texto no blog Professor Virtual, sobre o referido documentário:
retirado de http://educa-tube.blogspot.com/
--> Leia mais...
Uma escola que não aparece na programação da televisão, mas que não deixa de ser um verdadeiro reality show. Uma escola que é desconhecida de muitos apresentadores de TV, formadores de opinião, comentáristas esportivos e de resultados, políticos e outros palpiteiros de plantão...
Bem-vindos ao mundo real que nenhum reality show da TV consegue reproduzir, pois diferente daqueles, este é calcado de fato na realidade escolar e não em índices de audiência, produtos comerciais, revistas masculinas e coisa e tal...
Assistam, reflitam e repassem.
Abaixo, link no Google Vídeos:
PRO DIA NASCER FELIZ
http://video.google.com/videoplay?docid=3379496063337408357&hl=pt-BR
Veja também o texto no blog Professor Virtual, sobre o referido documentário:
retirado de http://educa-tube.blogspot.com/
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sábado, 24 de dezembro de 2011
Milhares de menores sofreram abusos sexuais na Igreja católica da Holanda
Os bispos holandeses afirmaram nesta sexta-feira que lamentam e pedem desculpas sinceras às vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero, depois da publicação de um relatório que assinala milhares de vítimas desse crime. "Lamentamos os abusos", indicaram os bispos em um comunicado. "Compadecemo-nos das vítimas e apresentamos a elas nossas sinceras desculpas", acrescentaram.
Milhares de menores foram abusados sexualmente na Igreja católica holandesa entre 1945 e 2010, e 800 supostos autores foram identificados, afirmou nesta sexta-feira uma comissão investigadora independente ao apresentar seu informe final. "Várias dezenas de milhares de menores enfrentaram formas leves, graves ou muito graves de condutas sexuais que ultrapassavam os limites entre 1945 e 2010 na Igreja católica holandesa", indicou um comunicado da comissão, cuja investigação teve início no dia 24 de agosto.
"Sobre a base de 1.795 casos, a comissão pôde encontrar os nomes de 800 autores de abusos sexuais que trabalham ou trabalharam para os arcebispados", indicou o informe da comissão. "Destas 800 pessoas, ao menos 105 continuam vivas", acrescentou o informe. "O problema dos abusos sexuais era conhecido pelas ordens (religiosas) e pelas dioceses da Igreja católica holandesa", indicou o informe da comissão. "Mas não foram realizadas ações adequadas" para impedir isso, acrescentou o informe da comissão Deetman.
A comissão Deetman, presidida pelo ex-ministro Wim Deetman, também é integrada por um juiz, um psicólogo e três professores universitários. No dia 9 de março de 2010, a conferência episcopal holandesa havia expressado seu desejo de que fosse realizada uma investigação "ampla, externa e independente" sobre os abusos sexuais cometidos por membros do clero.
Números divulgados por uma comissão independente de investigação apontam que entre 1945 e 2010 milhares de menores sofreram abusos sexuais dentro da Igreja Católica na Holanda. Os abusos relatados vão desde leves contatos físicos até a penetração completa.
“Várias dezenas de milhares de menores enfrentaram formas leves, graves ou muito graves de condutas sexuais que ultrapassavam os limites entre 1945 e 2010 na Igreja católica holandesa”, indicou um comunicado da comissão, cuja investigação teve início no dia 24 de agosto.
Ao todo foram 1.795 casos e 800 suposto autores desses crimes foram identificados, os acusados são ou fizeram parte do clero holandês, destes 105 ainda estão vivas. “O problema dos abusos sexuais era conhecido pelas ordens (religiosas) e pelas dioceses da Igreja católica holandesa”, indicou o informe da comissão.
O texto diz que a igreja fez vistas grossas diante dos casos e não tomaram ações adequadas para impedir que os abusos sexuais continuassem acontecendo.
Diante desse relatório, os bispos holandeses pediram desculpas às vítimas de abusos sexuais cometidos por membros da instituição. “Compadecemo-nos das vítimas e apresentamos a elas nossas sinceras desculpas”, diz o texto divulgado nessa sexta-feira, 16.
Não é só na Holanda que a Igreja Católica se envolveu em escândalos parecidos. Na Áutria, Bélgica, Irlanda, Alemanha e Estados Unidos também há milhares de relatos como os apresentados ex-ministro da Educação de Holanda,Wim Deetman.
Com informações G1 e Terra
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